quarta-feira, 18 de junho de 2008

TRÂNSITO E MEIO AMBIENTE EM SALVADOR

Crescimento do número de veículos automotivos preocupa autoridades e demanda soluções.


OS PROBLEMAS


Vinte e nove organizações não governamentais assinaram no dia 6 deste mês um manifesto enviado ao Governador Jacques Wagner que contém reivindicações a respeito das políticas socioambientais do Estado. O documento, entre outras coisas, propõe medidas governamentais que agreguem valor e forneçam qualidade de vida através do equilíbrio social e aponta problemas nas estruturas básicas de desenvolvimento urbano a exemplo do caos no trânsito.
A primeira semana do mês de junho é especial para os ambientalistas e os que, de alguma forma, preocupam-se com a saúde do planeta. No dia 5, escolhido como dia mundial do meio ambiente, têm sido cada vez mais freqüentes manifestações e ações populares que demonstram o quanto as questões ambientais, cada vez mais, fazem parte das discussões dentro e fora do âmbito político partidário. Salvador, terceira maior cidade brasileira em população passa pela semana do meio ambiente com problemas que se agravam à medida que passa por considerável desenvolvimento urbano.
Nos últimos anos o aumento do número de veículos automotivos pegou de surpresa uma cidade estruturalmente despreparada para um crescimento vertiginoso da frota de automóveis em circulação. Mais carros nas ruas, indicam muito mais que crédito fácil. A insatisfação com o transporte coletivo é também influência importante para tal aumento que, entre outros problemas, causa o aumento da poluição sonora, maior liberação de dióxido de carbono e engarrafamentos freqüentes. O Impacto ambiental é significativo quando se destaca as mudanças drásticas em ecossistemas em virtude de projetos desenvolvidos às pressas para suprir as demandas de um trânsito cada vez mais caótico.


AS HISTÓRIAS


Numa tarde de quinta-feira quando o Sol já começava a se por em Salvador, num dos ônibus parados na avenida Barros Reis, estava Vanessa Maia. Presa num engarrafamento há mais de trinta minutos, a jovem, operadora de telemarketing e estudante de farmácia de 23 anos se articula na tentativa de pensar na melhor maneira de convencer seu chefe de que o atraso não foi sua culpa. Antes de explicar ao chefe, Vanessa nos fala que cenas como esta tornaram-se mais comuns no seu cotidiano, contribuindo para o aumento do stress e a diminuição da qualidade de vida.
Diretora do Centro de Recursos Ambientais, Beth Wagner (foto à esquerda) cita a fragmentação nos órgãos públicos de gestão ambiental como um dos principais motivos da falta de ação do setor público na situação do trânsito em função do meio ambiente. “O Brasil como o quarto maior contribuinte para o aquecimento global deve assumir uma posição de defesa ao planeta e alterar sua posição no quadro planetário referente a poluição. Para tanto a Bahia precisa adotar medidas como a recuperação do antigo papel do SEMAR em mapear zonas ecológicas do estado.” Segundo Beth Wagner, até “o próprio avião do governador está descarbonizado”.
Para uma parte da população da capital baiana, o trânsito tem sido sinônimo de stress, falta de educação e poluição. A aposentada Jandira Santos, 68 anos, explica: “As pessoas não colaboram. Todo mundo joga lixo pela janela. O povo não tem educação. Devia ter uma lei pra prender, porque quando chove, ninguém lembra que o bueiro entope por causa do lixo que as pessoas jogam...”.


ALTERNATIVAS?


O transporte alternativo ainda é a melhor opção em redução de dióxido de carbono, gás que representa risco letal à camada de ozônio que está intimamente ligado à problemática do aquecimento global e que é liberado por automóveis e veículos em geral movidos por combustíveis fósseis a exemplo da gasolina. Enquanto ocorre, em nível nacional, a discussão sobre a substituição dos combustíveis fósseis pelos biocombustíveis, pessoas se mobilizam em busca de ações imediatas para a correção de problemas urbanos ligados ao trânsito.
Em Salvador, costuma-se fazer, anualmente, um passeio ciclístico para lembrar às autoridades de um importante meio de transporte que, na Bahia, sobretudo na capital, não é oficialmente levado em conta: a bicicleta.
“A criação de ciclovias é a melhor opção para a solução do problema do aumento de emissão de dióxido de carbono. O custo é menor em relação à implementação de pistas e viadutos, mas a cidade parece não ter espaço. Com certeza seria ótimo, por exemplo, fazer com que a população pudesse ir de Mussurunga até o Iguatemi de bicicleta”. Explica Elmo Felzemburg, professor do Departamento de Transportes Urbanos da Politécnica.
As quatro linhas de metrô previstas para funcionar na cidade constituem uma outra alternativa que, por um lado, contribui com o meio ambiente, na medida em que reduz o número de veículos que emitem dióxido de carbono e por outro, tem implementação demorada a custos altos com impactos ambientais às vezes severos tais como o descrito por moradores do Campo da Pólvora que dizem ter começado a receber visitas de cobras e aranhas depois do início das obras.
Esta matéria é parte de uma série sobre os problemas no trânsito em Salvador. Leia mais sobre o assunto em:
Veja também um vídeo reportagem produzido por alunos das Faculdades 2 de Julho. A matéria aborda a questão dos congestionamentos no boêmio bairro do Rio Vermelho. A despeito da qualidade, a matéria traz informações interessantes, notem.

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